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Falante, Guilherme Arantes refaz ‘longo percurso’ de hits em luminoso show no Rio

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Após apresentar em clima pop prog a música que batiza o álbum de inéditas que lançou em agosto, Flores & cores (2017), Guilherme Arantes avisou ao público presente no Teatro Oi Casa Grande que seguiria “longo percurso” pelos 40 anos de carreira ao longo do roteiro do show que estreou na cidade do Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 15 de dezembro de 2017.

O que o cantor, compositor e músico paulista queria dizer, na verdade, é que tocaria todos os sucessos acumulados em vitoriosa trajetória solo que já soma 41 anos. Dito e feito. Dono de volumosa obra de alto quilate pop, Arantes cantou e tocou todos os hits que lhe garantem lugar de honra na história da música brasileira.

Com cancioneiro autoral que se situa no mesmo nível do repertório de mitos do universo pop mundial como o cantor e compositor inglês Elton John, a quem Arantes foi (exageradamente) comparado na segunda metade da década de 1970, o Midas nativo enfileirou hits em viagem pelo tempo e pela memória afetiva do público. A bordo dos teclados posicionados ao centro do palco, Arantes cantou com orgulho os próprios sucessos e, com memória prodigiosa, contou histórias de bastidores sobre as gêneses das músicas, como o fato de a canção Pedacinhos (Bye bye, so long) (1983) ter sido composta e entregue para Vanusa, mas nunca gravada pela cantora.

A presença do guitarrista Luiz Carlini na banda acentuou a pegada roqueira de músicas como Condição humana (2013) e A cidade e a neblina (1976). Carlini sobressaiu com o solo feito em Cuide-se bem (1976), por exemplo. Contudo, no centro do universo pop, quem reinou foi o próprio Arantes, munido de teclados dos quais tirou sons que passaram pela batida do rock e pelo suingue da black music sem perder o apelo pop. Todas as cores da obra de Arantes foram expostas no show.

Foi arrepiante quando, após a introdução vocalizada de Amanhã (1977), a banda caiu no arranjo que identifica essa música em que pulsa a veia progressiva do compositor. Veia que saltou na também épica e emocionante Raça de heróis(1989), música que faria parte do nunca gravado segundo álbum do grupo Moto Perpétuo – com o qual Arantes se lançou no mercado fonográfico em 1974 – e que, 14 anos depois, foi adaptada para a trilha sonora da novela Que rei sou eu? (TV Globo, 1989). Os sons futuristas de Êxtase(1979) também geraram momento especial na viagem afetiva de Arantes pela memória do artista.

Deliciado, o público reviveu e saboreou canções de perfeita arquitetura pop, casos de Muito diferente (1989), Sob o efeito de um olhar (1991) e Um dia, um adeus(1987), alocadas em bloco feito somente com a voz e o toque dos teclados de Arantes. Planeta água (1981) marcou a volta da banda ao palco do Teatro Oi Casa Grande e foi o pretexto para a lembrança da rixa que o cantor tinha na época com o rival Oswaldo Montenegro, contratado da mesma gravadora. Arantes fala muito no show, mas os causos são bem contados e quase todos têm centelhas de ironia de um artista que compreende o mecanismo que move a máquina da indústria pop.

Diante da exposição de composições tão inspiradas como O melhor vai começar(1982), hino com o qual Arantes anunciou novo começo de era pop no início da década de 1980, é claro que músicas mais recentes, como Chama de um grande amor (2017) e Semente da maré (Canção do refugiado) (2017), perdem poder de sedução no confronto com hits tão enraizados na memória nacional de quem consumiu a música dos anos 1970 e 1980. De 1976 a 1991, Arantes viveu auge artístico com obra que, no panteão do pop nativo, ombreia com os cancioneiros de Lulu Santos e de Rita Lee com Roberto de Carvalho.

Como aponta Loucas horas (1986), o repertório de Arantes é solar, ainda que baladas como Meu mundo e nada mais(1976) – marco inicial da construção da grande obra – mostrem o cantor compositor mergulhado em crises existenciais. Se Lance legal (1982) faz ode à vida, Coisas do Brasil (Guilherme Arantes e Nelson Motta, 1986) é a releitura pop da bossa carioca de 1950.

Enfim, são poucos os compositores que conseguem entreter o público por duas horas em show com roteiro inteiramente autoral calcado em grandes sucessos. Arantes está nesse time. Por isso mesmo, refazer o longo percurso de 40 anos pela obra do artista no show Flores & cores é voltar a uma era de ouro do pop brasileiro do qual Guilherme Arantes é um dos reis.

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